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Estórias do Olho não Clínico

De Médico e Louco todos temos um pouco!

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Estórias do Olho não Clínico

29
Set19

Maldição de Ondina

A Maria é que sabe! Surpreendeu-nos a todos quando nos disse isto.

Quando a Maria veio ter connosco, a Maria estava no fundo do poço. Mas era um poço sem fundo… A casa da Maria fora destruída numa tempestade. Sozinha, com o marido e duas filhas, contruíram tudo outra vez. Um lar, novamente. Mais tarde, as filhas foram estudar para longe, para a faculdade, uma até para outro país. Finalmente, o marido vai abandonar a Maria, porque alegadamente encontrou outra pessoa de quem gosta mais. Mas não contente com isso, o marido da Maria meteu a Maria em tribunal, pela posse dos bens, a casa que os dois reconstruíram e outras coisas. E a Maria arrisca-se a ficar sem nada. A Maria bateu tão fundo no poço, que ficou deprimida, sufocada, sem saída, sem conseguir respirar, que quis pôr termo à sua vida. Tentou matar-se mais do que uma vez.

Parece irónico até: quando uma pessoa não tem rumo, quando a vida parece não ter sentido, nós pedimos às pessoas para se agarrarem às coisas que podem vir a ajudar, aos objetivos nas suas vidas. Mas o que tem a Maria? O marido deixou-a, as filhas vão para longe fazer a vida delas, vai ficar sem os seus bens… Ao que é a Maria se pode agarrar?

Então, ao fim de algumas sessões, a Maria agarrou-se àquilo de que ela ainda é dona, e que já tentou tirar algumas vezes, e disse-nos, como se daí adviesse a sua paz interior: “Eu só preciso de encontrar-me a mim própria...”.

 

As melhoras.

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